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Mercado ilegal de retatrutida e canetas emagrecedoras cresce na fronteira com o Paraguai

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O avanço do mercado clandestino de medicamentos para perda de peso acendeu um alerta nas autoridades brasileiras em 2026. Entre os produtos mais visados nas apreensões realizadas pela Receita Federal e pela Anvisa na fronteira entre o Brasil e o Paraguai, destaca-se a retatrutida, uma molécula experimental que ainda não possui aprovação para uso humano em nenhum lugar do mundo. A busca por resultados rápidos tem levado brasileiros a ignorarem os riscos sanitários e legais, optando por versões “piratas” adquiridas em farmácias paraguaias ou por meio de redes sociais.

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A dinâmica do contrabando na Alfândega de Foz do Iguaçu, no Paraná, revela o desespero de muitos consumidores. Relatos colhidos por agentes mostram que pessoas de diversas classes sociais, como advogados e profissionais liberais, escondem o medicamento junto ao corpo para tentar ingressar no Brasil com o produto. O principal motivador é a diferença de preço e a promessa de uma eficácia superior à de substâncias já conhecidas, como a semaglutida e a tirzepatida.

O perigo das substâncias experimentais e a retatrutida

A retatrutida é uma molécula em fase final de testes desenvolvida pela farmacêutica americana Eli Lilly. Embora os ensaios clínicos indiquem um potencial de perda de peso de até 28,7% em 15 meses, a fabricante reforça que o medicamento não está disponível comercialmente. As versões encontradas no mercado paraguaio são consideradas falsificações ou provenientes de laboratórios ilegais, uma vez que a detentora da patente não liberou o produto para venda.

Diferente de outros tratamentos que atuam em um ou dois receptores hormonais, a nova molécula age em três, o que explicaria sua potência. Contudo, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia adverte que o uso de versões sem registro sanitário é extremamente perigoso. Sem a fiscalização da Anvisa ou da Dinavisa (órgão correspondente no Paraguai), não há garantias sobre a pureza da substância, a dosagem correta ou a ausência de contaminantes que podem causar danos irreversíveis à saúde.

Explosão nas apreensões e logística criminosa na fronteira

Os dados de 2026 indicam uma mudança no perfil do contrabando na região da Ponte da Amizade. Nos primeiros três meses deste ano, o valor das canetas emagrecedoras apreendidas no Paraná já superou o total registrado em todo o ano de 2025, somando mais de R$ 11 milhões. O produto tornou-se o segundo item mais apreendido, perdendo apenas para os smartphones.

Autoridades da Polícia Federal e da Receita Federal apontam que grupos criminosos organizados estão migrando para esse ramo devido à facilidade logística. Diferente do cigarro, que exige grandes veículos e galpões, as canetas e ampolas são pequenas, possuem alto valor agregado e podem ser transportadas com maior discrição. Entretanto, o transporte clandestino frequentemente ignora as normas de refrigeração, que exigem temperaturas entre 4°C e 9°C. Quando expostas ao calor, essas substâncias podem se tornar meios de cultura para bactérias, aumentando o risco de infecções graves após a aplicação.

Implicações legais e marcas proibidas pela Anvisa

A entrada desses medicamentos no Brasil sem o devido registro é considerada um crime contra a saúde pública. A pena para quem é flagrado transportando ou comercializando substâncias sem regulamentação pode variar de 10 a 15 anos de prisão, sendo o ato classificado como crime hediondo em determinadas circunstâncias.

Atualmente, a Anvisa mantém um veto rigoroso a diversas marcas de tirzepatida vindas do Paraguai, como Gluconex, Tirzedral, Lipoless e Tirzec. A agência destaca que tais produtos não tiveram eficácia ou segurança avaliadas no país. Mesmo canetas permitidas só podem ser trazidas do exterior mediante apresentação de receita médica nominal e em quantidade limitada para três meses de tratamento.

A barreira do preço e o futuro dos medicamentos no Brasil

A febre pelas versões paraguaias é alimentada pelo alto custo dos tratamentos regulamentados no mercado nacional. Enquanto a tirzepatida aprovada no Brasil custa cerca de R$ 1,5 mil, versões similares no país vizinho são encontradas por R$ 300, e ampolas genéricas por valores ainda menores.

Especialistas acreditam que a demanda pelo mercado ilegal só diminuirá com a queda dos preços no território brasileiro. Atualmente, projetos de lei tramitam no Congresso para tentar suspender patentes e ampliar o acesso a terapias contra a obesidade. No caso da semaglutida, embora a patente tenha expirado recentemente, o mercado ainda aguarda o registro de novos fabricantes para que haja uma redução significativa nos valores praticados nas farmácias.

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