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Nova onda de ataques às urnas eletrônicas coloca instituições em alerta

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Lideranças políticas reeditam questionamentos sobre o sistema de votação brasileiro e movimentam a Justiça Eleitoral às vésperas de novo pleito.

A mais recente onda de ataques às urnas eletrônicas reacendeu o sinal de alerta entre autoridades e órgãos de controle no Brasil. O movimento busca colocar em dúvida o modelo informatizado de votação que completa três décadas sem qualquer registro comprovado de fraude, desde os primeiros testes realizados em 57 municípios no pleito de 1996.

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A ofensiva ganhou tração após declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL) a representantes de 42 países no dia 21. O parlamentar alegou que os equipamentos brasileiros seriam fabricados pela empresa venezuelana Smartmatic e citou um suposto relatório da CIA sobre irregularidades em 2012. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contradizem a afirmação: mais de 1,4 milhão de urnas utilizadas no país foram produzidas por quatro empresas contratadas via licitação (Positivo Tecnologia, Diebold, Unisys Brasil e Procomp). O episódio fez com que o parlamentar se tornasse alvo de ação no TSE, movida pela oposição para apurar a conduta.

Estratégia de contestação e impacto nas redes sociais

O episódio repete a tática adotada em julho de 2022 pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que reuniu diplomatas no Palácio da Alvorada para questionar as máquinas, atitude que culminou em uma de suas condenações à inelegibilidade no TSE. Nos Estados Unidos, onde vive com green card concedido pelo governo americano, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro reforçou a narrativa em transmissão ao vivo com o marqueteiro argentino Fernando Cerimedo (indiciado pela Polícia Federal por desinformação) e resgatou declarações do empresário Elon Musk sobre falhas em sistemas conectados à internet. O sistema eletrônico brasileiro, contudo, opera de forma isolada e off-line.

Monitoramentos de checagem de fatos indicam que a desinformação sobre o processo eleitoral se expande com rapidez. Levantamento da Agência Lupa aponta que 73% das falsidades viralizadas entre 2016 e 2024 envolveram ataques às urnas eletrônicas ou à Justiça Eleitoral. Maiquel Rosauro, integrante da agência, avalia que a mentira circula em velocidade superior à capacidade de resposta das investigações oficiais.

Padrões de segurança e respaldo das lideranças da Justiça Eleitoral

Ao assumir a presidência do TSE em maio, o ministro Kassio Nunes Marques classificou o sistema como patrimônio institucional e mais avançado do mundo em recepção, apuração e divulgação de votos, destacando a necessidade de fortalecer a confiança pública perante ameaças à democracia. A postura republicana em defesa do modelo foi acompanhada pelo vice-presidente da Corte, ministro André Mendonça.

A fabricação dos equipamentos atende a parâmetros rigorosos fixados pela Justiça Eleitoral. Para as eleições deste ano, das mais de 500 mil máquinas em uso, 445 mil foram produzidas pela Positivo entre 2020 e 2022, enquanto modelos obsoletos da série de 2009 foram descartados. Antes e durante as eleições, os sistemas passam por mais de dez etapas de auditagem, incluindo testes públicos com a participação de hackers, assinaturas digitais, além do acompanhamento da Polícia Federal, Ministério Público, universidades e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Articulação internacional e o discurso político permanente

Analistas apontam que a contestação antecipada do resultado cumpre uma função pragmática na disputa política. Segundo Márcio Moretto, professor do Cebrap/USP e coordenador do grupo Monitor da Democracia, lançar suspeitas prévias permite construir uma narrativa conveniente para qualquer resultado: em caso de vitória, afirma-se a superação do sistema; em caso de derrota, alega-se manipulação. A pesquisadora Tainah Pereira, da Universidade Stanford, reforça que o objetivo é manter instabilidade permanente sobre o cumprimento das regras.

A influência de dinâmicas externas também é destacada por especialistas. Paulo Velasco, professor de política internacional da UERJ, avalia que os questionamentos levantados por Donald Trump após a derrota eleitoral nos Estados Unidos em 2020 consolidaram a contestação do sistema como estratégia política diária. O próprio ex-presidente republicano avalia o pleito brasileiro como um teste importante para sua influência na América Latina. No cenário global, contudo, o modelo brasileiro de votação direta via urna eletrônica (DRE) serve de referência metodológica para países da América Latina e missões observadoras internacionais.

Leia mais:
Smartmatic: o que é a empresa citada por Flávio Bolsonaro e qual a relação com o Brasil
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