O Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam) iniciou uma série de atendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) no interior do estado. A iniciativa tem como foco principal os moradores da Reserva Extrativista (Resex) Catuá-Ipixuna, localizada em Tefé, município situado a 523 quilômetros de Manaus. As atividades buscam fortalecer a cadeia produtiva local por meio de capacitações práticas, diálogos setoriais e emissão de documentos essenciais para os trabalhadores rurais.
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As ações foram concentradas na comunidade Santa Luzia do Boia, situada na região do Lago Catuá. De acordo com a Unidade Local do Idam em Tefé, os trabalhos começaram com um debate que reuniu 26 extrativistas. A pauta abrangeu o cenário econômico atual do setor, a organização da produção, o manejo sustentável e as perspectivas de crescimento para a atividade florestal dentro da unidade de conservação de uso sustentável.
Inventário e manejo de castanha na Amazônia
Uma das etapas centrais da programação envolveu a Demonstração de Métodos voltada para o Mapeamento e Inventário de Castanhais Nativos. A atividade contou com a participação direta de 10 extrativistas da reserva. O objetivo dessa instrução prática foi capacitar os trabalhadores em técnicas de identificação, organização geográfica e levantamento do real potencial produtivo das áreas de coleta. Os dados obtidos servem de base para estruturar planos de manejo e aprimorar o planejamento da colheita anual.
Paralelamente às capacitações de campo, o órgão estadual atuou na regularização documental dos produtores. Ao todo, 20 extrativistas e agricultores familiares da localidade receberam atendimento para a inscrição e a atualização do Cartão do Produtor Primário (CPP). O documento é fundamental para garantir o acesso a benefícios previdenciários, isenções fiscais e linhas de crédito voltadas ao desenvolvimento da agricultura e do extrativismo.
Fortalecimento institucional e biodiversidade
A equipe técnica do Idam também participou da 27ª Assembleia Geral Ordinária da Associação Agroextrativista da Resex Catuá-Ipixuna (AACI). O evento reuniu 112 participantes e contou com o suporte institucional da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), evidenciando a articulação entre diferentes esferas governamentais e do terceiro setor na região.
Durante a assembleia, os participantes debateram o mapeamento do potencial de produtos da sociobiodiversidade, visando o uso múltiplo e consciente da floresta tropical. As discussões destacaram a relevância de recursos florestais não madeireiros que possuem forte apelo comercial e cultural na Amazônia, tais como o açaí, a andiroba, a copaíba, o cumaru e o murumuru, além da própria castanha-da-amazônia.
O papel do Idam se concentra em oferecer a expertise técnica necessária para apoiar as associações comunitárias no amadurecimento de suas gestões. O suporte visa a construção de estratégias coletivas que facilitem a coleta adequada, a disseminação de boas práticas de higiene e armazenamento, e a criação de canais eficientes de comercialização. A meta é conectar a produção local a mercados que valorizem a sustentabilidade e o trabalho das populações tradicionais.
Os trabalhos de assessoria na Resex Catuá-Ipixuna começaram no dia 25 de maio. A ação faz parte do cronograma oficial do Projeto Prioritário da Castanha, que permanece em execução no município de Tefé para consolidar a economia de base florestal e garantir a preservação dos recursos naturais.
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