A primeira telecirurgia robótica de longa distância realizada em um hospital filantrópico brasileiro colocou um paciente do Sistema Único de Saúde (SUS) no centro de um marco da medicina nacional nesta terça-feira (30). O procedimento para tratamento de câncer de reto foi realizado no Hospital de Amor Amazônia, em Porto Velho (RO), enquanto a equipe médica especializada acompanhava e comandava a cirurgia a partir da unidade da instituição em Barretos (SP), a cerca de 2.700 quilômetros de distância.
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O feito representa um avanço na integração entre tecnologia, conectividade e assistência médica de alta complexidade, ampliando as possibilidades de atendimento especializado para pacientes que vivem longe dos grandes centros urbanos.
Telecirurgia robótica amplia acesso a especialistas
A operação utilizou um sistema que permitiu aos cirurgiões controlar, em tempo real, os instrumentos robóticos instalados na sala cirúrgica em Porto Velho. Enquanto isso, uma equipe médica permaneceu presencialmente ao lado do paciente para prestar todo o suporte assistencial necessário durante o procedimento.
A iniciativa foi acompanhada, em Barretos, pelo ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, que destacou o papel da infraestrutura digital na expansão dos serviços de saúde pública.
Segundo o ministro, a cirurgia demonstra como a conectividade pode aproximar especialistas de pacientes que vivem em regiões distantes, tornando possível o acesso a procedimentos altamente especializados por meio da transformação digital.
Estrutura tecnológica garantiu segurança da operação
Para viabilizar a cirurgia remota, os ministérios das Comunicações e da Saúde desenvolveram, em parceria com o Hospital de Amor, um protocolo específico de conectividade voltado às telecirurgias robóticas.
A estrutura contou com duas conexões independentes de fibra óptica, redundância em rede 5G e uma conexão dedicada por VPN, garantindo estabilidade durante toda a operação.
Outro requisito essencial foi manter a latência abaixo de 100 milissegundos, intervalo entre o comando enviado pelo cirurgião e a resposta do robô cirúrgico. Esse padrão é considerado fundamental para assegurar precisão e segurança em procedimentos realizados à distância.
Tecnologia pode reduzir desigualdades no atendimento
Além do caráter inédito, a experiência reforça o potencial da infraestrutura de telecomunicações para diminuir as diferenças regionais no acesso à medicina de alta complexidade.
Com esse modelo, especialistas podem atuar remotamente em procedimentos realizados em hospitais localizados em regiões mais afastadas, beneficiando pacientes atendidos exclusivamente pelo SUS sem a necessidade de deslocamentos para grandes centros.
O diretor de Inovação do Hospital de Amor, Luis Gustavo Romagnolo, afirmou que o procedimento coloca a instituição como o primeiro hospital filantrópico, com atendimento 100% pelo SUS, a realizar uma telecirurgia robótica oncológica em uma distância tão significativa.
Segundo ele, o avanço representa mais do que um marco tecnológico, sendo também uma oportunidade de ampliar o acesso da população a tratamentos especializados.
Hospital de Amor é referência em atendimento oncológico
Reconhecido nacionalmente pela assistência em oncologia, o Hospital de Amor atende exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde e oferece serviços gratuitos nas áreas de prevenção, diagnóstico, tratamento, pesquisa, ensino, reabilitação e inovação.
Em 2025, a instituição realizou mais de 2 milhões de atendimentos entre consultas, exames e procedimentos, beneficiando mais de 613 mil pacientes provenientes de 2.711 municípios brasileiros. Os números consolidam o hospital como uma das principais referências em tratamento do câncer na América Latina e reforçam o papel da inovação tecnológica na ampliação do acesso à saúde pública de qualidade.
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