Ex-deputado afirma que atendeu a apelo do presidente para manter a unidade política do grupo governista nas eleições no Amazonas.
Um apelo direto do Palácio do Planalto redefiniu os rumos do cenário político amazonense. O ex-deputado federal Marcelo Ramos confirmou que retirou sua pré-candidatura ao Senado após um telefonema do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A revelação foi feita pelo próprio político em entrevista concedida à jornalista Rosiene Carvalho.
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A conversa encerra semanas de incertezas na base aliada local. Segundo Marcelo Ramos, o pedido do presidente visou priorizar o projeto nacional do Partido dos Trabalhadores e consolidar a união das forças políticas governistas no estado, evitando divisões na coligação.
“Exatamente isso. Da mesma forma que, na eleição de 2024, o presidente Lula me fez um apelo para disputar a eleição e me filiar ao PT, agora, em nome do projeto nacional e da unidade da nossa base política, ele faz um apelo. Eu não tenho como confrontar o presidente, eu não tenho como gerar instabilidade no projeto de reeleição do presidente Lula, porque eu acho que isso é o mais importante para o Brasil”, declarou o ex-parlamentar.
Impacto na militância e bastidores no Amazonas
A alteração de rota gerou reações imediatas nos bastidores partidários. O próprio Marcelo Ramos admitiu a complexidade do momento, reconhecendo a frustração de apoiadores e integrantes do PT que defendiam um nome próprio do partido para a única vaga ao Senado em disputa neste pleito.
“É um momento de frustração enorme. A militância do PT está muito consternada, eu também estou muito consternado. Tenho certeza de que muitas pessoas sentiam a necessidade de uma candidatura progressista nas eleições deste ano”, afirmou.
Apesar do recuo na disputa por uma cadeira no Congresso Nacional, o ex-deputado ressaltou que seguirá atuando no pleito, focado no fortalecimento das candidaturas da base e na campanha presidencial.
“Minha história de militância não tem relação com mandato eletivo ou disputa eleitoral. Tem relação com propósito de vida. Serei um militante nas ruas pelo projeto de reeleição do presidente Lula, pela eleição das bancadas do PT e dos candidatos da nossa base. Portanto, não haverá um nome próprio na disputa em função da prioridade nacional, que é a reeleição do presidente Lula”, concluiu.
Consolidação das alianças para as eleições
Com a decisão, a convenção da Federação Brasil da Esperança, composta por PT, PCdoB e PV, deve apenas ratificar a coligação desenhada nacionalmente. A medida encerra o impasse entre o PT amazonense e os grupos liderados pelo senador Eduardo Braga (MDB) e pelo senador Omar Aziz (PSD).
Na prática, o recuo de Marcelo Ramos abre caminho para que a aliança formalize o apoio à reeleição de Eduardo Braga ao Senado, além de alinhar o palanque ao governo estadual em torno de Omar Aziz. A intervenção de Lula pacifica o ambiente interno do grupo e direciona os esforços da federação para a estratégia eleitoral unificada no Amazonas.
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