A explosão na busca por ajuda médica levou o governo a multiplicar a capacidade de assistência psicológica remota no país. Diante de uma procura que superou todas as expectativas iniciais, o tratamento para vício em bets no SUS passou a contar com uma estrutura capaz de realizar até 100 mil teleatendimentos mensais a partir desta terça-feira.
O serviço começou a funcionar de forma piloto há cinco meses, registrando uma média modesta de 600 atendimentos mensais. A necessidade de expandir drasticamente essa oferta foi confirmada pelos próprios números do Ministério da Saúde, em uma parceria estratégica com o Ministério da Fazenda e a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS).
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A assistência é oferecida de forma totalmente gratuita, remota, sigilosa e acolhedora no aplicativo Meu SUS Digital. A plataforma funciona como uma porta de entrada para a Rede de Atenção Psicossocial (Raps), garantindo orientação e acompanhamento contínuo aos pacientes.
Perda de controle financeiro e autoexclusão
O alcance do problema transparece nos indicadores do Observatório Saúde Brasil de Apostas Eletrônicas. Mais de 1 milhão de pessoas já solicitaram a autoexclusão do próprio CPF de plataformas e sites de jogos online. Do total de solicitações registradas no sistema, 35% das pessoas tomaram essa decisão motivadas expressamente pela perda de controle sobre as apostas.
Os impactos psicológicos e sociais do jogo compulsivo manifestam-se de forma gradativa. O Ministério da Saúde alerta que os principais sinais de comportamento adictivo incluem alterações no sono, na alimentação e no humor, além de um sentimento constante de vergonha e culpa. É frequente que o praticante comece a mentir para familiares e amigos sobre os valores gastos e apresente quadros severos de ansiedade, irritabilidade e inquietação nos momentos em que não está jogando.
Com o avançar da dependência, o jogo passa a ser utilizado de maneira recorrente como válvula de escape para o estresse ou frustrações cotidianas. Essa dinâmica traz severos prejuízos às relações pessoais e profissionais, cria dificuldades para reduzir ou interromper os palpites e costuma vir acompanhada do uso intensificado de álcool e outras drogas, além de comprometer gravemente o orçamento individual e familiar.
Fatores de risco e vulnerabilidades
A predisposição ao transtorno decorre de uma combinação de fatores biológicos, sociais e ambientais. Entre os pontos de vulnerabilidade identificados pela equipe técnica da pasta estão a exposição precoce a jogos de aposta e a facilidade de acesso proporcionada pelos celulares.
O histórico de transtornos mentais prévios, como depressão e ansiedade, a busca por alívio emocional e a impulsividade voltada para recompensas imediatas aceleram a progressão do vício. Esse cenário é agravado pelo contexto social, no qual figuram a solidão, a vulnerabilidade socioeconômica e as influências culturais que insistem em romantizar a prática de apostas.
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