A polêmica sobre a Padroeira do Brasil e o banimento das apostas esportivas conhecidas como BETs, anunciado pelo Governo Federal na última sexta, deixaram cicatriz na primeira pesquisa captada após esses eventos. A Nexus/BTG divulgada nesta segunda (28) mostra Lula ampliando sua vantagem sobre Flávio Bolsonaro para 5 pontos percentuais no primeiro turno. No segundo turno, sobe de 1pp para 2pp, a maior em seis semanas. Mas há um detalhe que revela o limite dessa mobilização de última hora: 87% dos eleitores declaram que não vão mais mudar de voto. A campanha mexeu na opinião, mas não conseguiu liberar votos.
Lula subiu 2 pontos percentuais na estimulada de primeiro turno (de 40% para 42%), enquanto Flávio permaneceu nos 37%. Os movimentos ocorreram em contexto de congelação eleitoral já avançada. A taxa de decididos havia crescido de 81% para 87% em poucas semanas. O efeito real não foi mobilizar novos eleitores. Foi consolidar as bases que ainda flutuavam. Lula capturou mais dos votos de terceira via que restavam, particularmente de Zema. No cruzamento de migração de voto, Zema manda 66% para Lula e apenas 13% para Flávio no segundo turno. Terceira via e rejeição já se realocaram. O que preenche a estimulada agora é apenas o pó que sobrou.
A notícia mais relevante não é a subida de Lula. É o recuo assimétrico de Flávio em indicadores de força. A taxa de rejeição dele ultrapassou a de Lula pela primeira vez: saiu de 50% para 51%, enquanto Lula recuou de 49% para 48%. Essa inversão importa porque sinaliza limite estrutural. Há mais gente que se recusa a votar em Flávio do que em Lula.
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A expectativa de vitória de Flávio também piorou. A proporção de eleitores que apostam na vitória dele caiu de 36% para 39%. Se a polêmica religiosa e o banimentos das BETs realmente favorecessem o bolsonarismo, esse número subiria. Caiu. Ao mesmo tempo, a expectativa de Lula recuou de 54% para 51%, o que sugere que ambos enfrentam uma percepção mais indefinida de campanha. O potencial de Lula oscilou para cima (de 49% para 50%), enquanto o de Flávio permaneceu em 47%. Cristalização em base menor.
A polêmica religiosa tocou em algo que afetou Flávio desproporcionalmente. Pode ser porque ele não conseguiu surfar no conservadorismo religioso tradicional com a mesma efetividade que Lula consegue surfar na defesa de religiões de matriz africana sem alienar católicos. Ou porque o banimento das BETs impactou públicos urbanos e mais escolarizados, que já eram Lula.
Em resumo, a primeira pesquisa após esses eventos confirma uma tendência que já era visível: essa eleição está congelada. Não porque os eleitores não se importem com os eventos que explodem na mídia, mas porque já fizeram suas escolhas.
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