Portaria publicada no Diário Oficial da União autoriza repasse em parcela única e estabelece prazo de 180 dias para execução dos recursos; fumaça mantém qualidade do ar em níveis perigosos em Manaus e municípios do interior
O governo federal autorizou o repasse de R$ 14,3 milhões ao Amazonas para ações de resposta a desastres, em meio à crise de queimadas e à poluição provocada pela fumaça no estado. A medida foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) na sexta-feira (16), por meio da Portaria nº 3.558, de 16 de outubro de 2026.
O documento, assinado pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, vinculada ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, estabelece o valor de R$ 14.311.819,35 para as ações solicitadas pelo governo estadual.
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De acordo com a portaria, o dinheiro será transferido em parcela única e deverá ser utilizado exclusivamente nas atividades previstas na solicitação cadastrada pelo estado no Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD).
O prazo para a execução das ações é de 180 dias, contados a partir da publicação da medida. Após esse período, o governo estadual deverá apresentar a prestação de contas final em até 30 dias. O prazo também poderá ser contado a partir do último pagamento realizado, caso ocorra antes do encerramento da execução.
A portaria, no entanto, não especifica quais medidas serão financiadas nem estabelece expressamente que os recursos serão destinados ao combate às queimadas.
Qualidade do ar em Manaus chega a nível perigoso
Enquanto o repasse é autorizado, Manaus continua enfrentando os efeitos da fumaça provocada pelos incêndios florestais. No sábado (17), a capital amazonense voltou a registrar o pior índice de qualidade do ar entre as capitais brasileiras, segundo a plataforma internacional IQAir.
Às 8h40, o índice chegou a 657 pontos, depois de marcar 441 pontos às 6h. A classificação indicava condição perigosa, com risco à saúde da população.
Diante da situação, a Defesa Civil do Amazonas emitiu um alerta de risco severo e recomendou que os moradores evitem a exposição à fumaça e utilizem máscaras ao sair de casa.
A Prefeitura de Manaus também orientou a população a manter portas e janelas fechadas, beber água, umidificar os ambientes e evitar a prática de atividades físicas ao ar livre.
Moradores relatam dificuldade para respirar e ardência nos olhos
A intensidade da fumaça provocou uma série de relatos nas redes sociais. Moradores de diferentes áreas de Manaus descreveram cheiro forte, ardência nos olhos e dificuldade para respirar. Algumas publicações classificaram o episódio como um dos piores já registrados na capital.
Na rede social X, um usuário relatou o desconforto causado pela fumaça e a persistência da poluição.
“Mais um dia acordando com o fedor insuportável de fumaça. a qualidade do ar em manaus continua péssima e, mais uma vez, volto a dizer que sinto que estão tentando nos matar sufocados”, escreveu.
Outro morador afirmou que a densidade da fumaça prejudicava até mesmo a visibilidade na cidade.
“Hoje de longe o pior dia pra se estar em Manaus, a fumaça é tão forte, fedorenta e densa que até a visibilidade tá afetada”, publicou.
Também houve manifestações sobre a gravidade do episódio. “O pior limiar de todos os episódios de fumaça na cidade”, escreveu outro usuário.
Os relatos incluíram ainda queixas de ardência nos olhos mesmo dentro de casa e críticas à atuação das autoridades diante da situação.
“Arrisco dizer que hoje é o pior dia de Manaus no quesito poluição, os olhos ardem dentro de casa. E o pior: os governantes não estão levando o assunto tão a sério como deveria ser”, afirmou uma pessoa.
Outras publicações indicaram a percepção de agravamento da poluição ao longo dos dias. “Parece que Manaus amanhece cada dia pior com essa fumaça”, escreveu um usuário.
Em outra mensagem, um morador descreveu as condições enfrentadas na capital em 17 de outubro de 2026: “tá dificílimo respirar, uma forte fumaça se espalhou por toda a cidade”.
Municípios do interior do Amazonas também registram poluição elevada
A fumaça não afeta apenas Manaus. Dados da plataforma Selva apontaram concentrações elevadas de partículas poluentes em diferentes municípios do interior do Amazonas na manhã de sábado (17).
Por volta das 7h16, Urucurituba registrava 731,1 microgramas por metro cúbico (µg/m³), enquanto Maués apresentava 724,7 µg/m³.
Em Autazes, a concentração chegou a 607,3 µg/m³. Outros municípios também registraram índices elevados: Manaquiri, com 468,5 µg/m³; Itacoatiara, com 475,8 µg/m³; e Iranduba, com 407,7 µg/m³.
Os dados também apontaram 278,1 µg/m³ em Itapiranga, 262,2 µg/m³ em Careiro da Várzea, 235,4 µg/m³ em Silves e 226,9 µg/m³ em Boa Vista do Ramos.
Os registros evidenciam a abrangência da poluição atmosférica no estado em meio ao período de queimadas. Enquanto a fumaça afeta a rotina dos moradores e aumenta a preocupação com os impactos à saúde, o repasse federal abre caminho para ações de resposta a desastres, embora a destinação específica dos recursos ainda não esteja detalhada na portaria publicada.
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