Governo francês tenta conter saques e depredações em diversas cidades e admite decretar estado de emergência caso a situação se agrave.
O governo da França anunciou nesta segunda-feira (19) a adoção de toques de recolher em áreas específicas do país, após um fim de semana marcado por manifestações, confrontos com policiais, saques e ataques a estabelecimentos comerciais. A medida foi anunciada pelo primeiro-ministro Sébastien Lecornu, que também não descartou a possibilidade de decretar estado de emergência caso os episódios de violência continuem.
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As restrições deverão entrar em vigor ainda nesta segunda-feira, de maneira parcial e localizada. O objetivo é impedir novos atos de vandalismo e reforçar a segurança em regiões comerciais atingidas pelos distúrbios.
Segundo Lecornu, a definição das áreas afetadas será feita em conjunto com as autoridades locais. O governo pretende divulgar o mapa das restrições após consultar os prefeitos dos municípios envolvidos.
O primeiro-ministro afirmou que o estado de emergência permanece como uma alternativa, mas considera que, neste momento, os toques de recolher são mais adequados para controlar a situação.
Governo promete punições e apoio a comerciantes
Durante pronunciamento, Lecornu defendeu a atuação das forças de segurança e prometeu uma resposta judicial rigorosa contra os responsáveis pelos episódios de violência.
O premiê atribuiu parte dos distúrbios à atuação de grupos de ultraesquerda e de pessoas envolvidas em ações criminosas. Segundo ele, esses grupos estariam interessados em provocar instabilidade política no país às vésperas das eleições presidenciais.
Além das medidas de segurança, o governo francês anunciou ações emergenciais para reduzir os prejuízos econômicos provocados pelos ataques.
A estimativa é de que aproximadamente 3 mil estabelecimentos comerciais tenham sido afetados por saques, incêndios e depredações.
A partir de terça-feira (20), os comerciantes poderão recorrer a mecanismos de redução temporária da jornada de trabalho, com compensação salarial financiada pelo Estado. A iniciativa busca preservar empregos enquanto as empresas tentam recuperar suas atividades.
Também está prevista a criação de um fundo específico de apoio financeiro aos estabelecimentos prejudicados.
Polícia terá reforço para conter novos distúrbios
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, confirmou que o governo ampliará as medidas de segurança para impedir novos episódios de violência.
O reforço deverá se concentrar nas regiões consideradas mais vulneráveis, especialmente centros comerciais e áreas que registraram ataques durante o fim de semana.
Nuñez também cancelou uma viagem que faria a Marselha para participar de reuniões emergenciais com integrantes do governo.
A cidade foi uma das localidades atingidas pelos protestos, assim como Paris, Lyon e Limoges. Nesta última, o prédio da prefeitura sofreu um incêndio durante os distúrbios.
Apesar das críticas à atuação policial, o governo reafirmou apoio às forças de segurança mobilizadas para controlar a situação.
Coletes amarelos anunciam novas manifestações
Enquanto o governo tenta restabelecer a ordem, movimentos sociais e organizações sindicais preparam novas mobilizações contra o aumento do custo de vida e a situação econômica francesa.
A coordenação dos chamados coletes amarelos, responsável por manifestações realizadas no sábado (17), anunciou uma nova rodada de protestos para o próximo sábado (24) e para o dia 31 de outubro.
O movimento também criticou o pronunciamento do presidente Emmanuel Macron, realizado no domingo (18), classificando o discurso como insuficiente para responder às reivindicações populares.
Os organizadores pedem uma reunião com representantes do governo no Palácio do Eliseu, sede da Presidência francesa.
Para 5 de novembro, centrais sindicais como CFDT, CGT, FO, Unsa e FSU convocaram uma greve acompanhada de manifestações em defesa dos salários, dos empregos, dos serviços públicos e da indústria.
Estudantes também participam da mobilização. Organizações universitárias e secundaristas defendem a continuidade dos protestos, com novas ações previstas para os dias 22 e 24 de outubro.
Alemanha recomenda cautela e União Europeia condena violência
A escalada de tensão na França também provocou manifestações de autoridades internacionais.
O governo da Alemanha condenou os episódios de violência e recomendou que cidadãos alemães que estejam em território francês redobrem os cuidados, especialmente nas proximidades de protestos.
O porta-voz do governo alemão, Stefan Kornelius, afirmou que as imagens de confrontos e destruição em cidades francesas provocaram preocupação em Berlim.
A União Europeia, por sua vez, defendeu a preservação do direito à manifestação pacífica, mas condenou os saques, incêndios e ataques contra pessoas e prédios públicos.
O porta-voz da Comissão Europeia, Markus Lammert, ressaltou a necessidade de distinguir manifestantes pacíficos de indivíduos envolvidos em ações violentas.
A crise amplia a pressão sobre o governo de Emmanuel Macron em um momento de crescente insatisfação social e a aproximadamente seis meses das eleições presidenciais francesas, previstas para 2027.
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