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‘Fuga do povo’: projeto de Davi Reis para sessões híbridas na CMM gera revolta e é classificado como ‘imoral’

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Apresentada pela mesa diretora chefiada por Davi Reis, proposta que permite sessões online surge dias após protestos na CMM; oposição vê ‘artimanha’ e ‘retrocesso’.

A gestão de Davi Reis (Avante) à frente da Câmara Municipal de Manaus (CMM) está no centro de uma intensa polêmica que abalou o plenário nesta terça-feira (11). O motivo é o Projeto de Resolução nº 020/2025, apresentado pela Mesa Diretora, que visa implementar a participação online de vereadores em sessões plenárias, criando as chamadas sessões híbridas.

A proposta foi recebida sob forte artilharia de diversos parlamentares, que a classificaram como “imoral”, “vergonhosa” e uma clara tentativa de “fugir do povo”, apontando Davi Reis como o principal articulador da medida.

O “timing” do projeto é o principal combustível para a desconfiança. A resolução foi apresentada poucos dias após a CMM ser palco de grandes manifestações de professores e servidores municipais. Os servidores ocuparam a galeria e pressionaram os parlamentares contra a aprovação da reforma da previdência municipal. Mesmo sob forte pressão popular, a maioria dos vereadores aprovou a reforma.

Agora, a oposição acusa a gestão de Davi Reis de usar o projeto como um escudo. A proposta permitiria ao presidente autorizar sessões virtuais ou híbridas “em situações excepcionais”, incluindo a “impossibilidade de acesso seguro ao plenário”. Para os críticos, essa linguagem abre uma brecha perigosa para que protestos legítimos sejam usados como justificativa para esvaziar a casa legislativa.

‘Imoral’ e ‘Vergonhoso’: oposição ataca projeto de Davi Reis

A reação no plenário foi imediata. O vereador Rodrigo Guedes (Progressistas) usou a tribuna para classificar o projeto de Davi Reis como “imoral”, criticando diretamente o poder que a medida confere ao presidente em momentos de pressão.

“O presidente pode, por conta própria, decretar votação híbrida em momentos de protesto. Isso é fugir do povo. Câmara é lugar de encarar a população”, afirmou Guedes.

O vereador recém-empossado Amauri Gomes (União Brasil) foi ainda mais duro em suas críticas, sugerindo que a CMM está sendo controlada de forma autoritária. “Chega a ser vergonhoso. Eu pensava que isso aqui era a casa do povo, mas não é. A Câmara Municipal de Manaus tem dono. O que está acontecendo aqui é uma brincadeira com a cara do povo”, disparou Gomes, em uma crítica direta à condução de Davi Reis.

Suspeita de ‘artimanha’ e ‘retrocesso’ democrático

A medida também foi vista como um retrocesso democrático. José Ricardo (PT) lembrou que o modelo remoto se justificou apenas durante o auge da pandemia de Covid-19, mas que sua adoção agora não possui fundamento. “Não tem sentido nenhum. Na pandemia foi algo excepcional. Agora, não há nenhuma razão para introduzir essa modalidade. A Câmara é a casa do povo, então nós temos que facilitar o acesso ao povo”, afirmou.

O Coronel Rosses (PL) levantou suspeitas sobre as reais motivações da proposta, ligando-a ao período pré-eleitoral. Para ele, a medida pode ser uma ferramenta política. “Eu vejo isso como mais uma armadilha pra muita gente se afastar aqui no período de campanha eleitoral. Isso pode ser uma artimanha”, disse o parlamentar.

Projeto também muda regras da eleição da Mesa Diretora

Para aumentar a controvérsia em torno da gestão de Davi Reis, o Projeto de Resolução nº 020/2025 não se limita às sessões híbridas. O texto também propõe uma alteração significativa na data da eleição da Mesa Diretora para o segundo biênio.

A mudança permitiria que o presidente (atualmente Davi Reis) defina o dia da votação e comunique o plenário com uma antecedência mínima de apenas dois dias. Críticos veem a medida como uma forma de dificultar a articulação de chapas concorrentes, consolidando o poder do grupo atual.

Diante da forte repercussão negativa e das acusações diretas, a tramitação do projeto polêmico foi suspensa. A suspensão ocorreu após um pedido de vista coletivo dos vereadores Rodrigo Guedes (PP), Eduardo Alfaia (Avante) e Jaildo Oliveira (PV), garantindo que a proposta de Davi Reis não avançasse sem maior escrutínio.

Leia mais:
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