Projeto previa cerca de 1,6 mil quilômetros de fibra na Amazônia colombiana e poderia integrar redes de internet ao sistema brasileiro Norte Conectado
O governo da Colômbia cancelou o projeto de fibra óptica que previa a instalação de infraestrutura no Rio Putumayo, na Amazônia colombiana, e poderia ampliar a integração digital com o Brasil. A decisão foi anunciada na terça-feira (18) pela ministra de Tecnologias da Informação e Comunicações (MinTIC), Alexandra Falla.
A infovia subfluvial era considerada um elo estratégico para conectar a rede colombiana ao sistema brasileiro Norte Conectado, responsável pela implantação de infraestrutura de internet de alta capacidade em rios da Amazônia.
Segundo o MinTIC, o cancelamento ocorreu após a identificação de incertezas financeiras e de estimativas preliminares que poderiam representar riscos técnicos, ambientais e relacionados à cobertura efetiva do projeto.
Projeto de fibra óptica custaria cerca de R$ 1,9 bilhão
De acordo com o governo colombiano, o custo estimado da infovia no Rio Putumayo chegaria a 1,4 trilhão de pesos colombianos, aproximadamente R$ 1,9 bilhão. O valor representa aumento de cerca de 67% em relação à estimativa inicial de 683 bilhões de pesos, equivalente a aproximadamente R$ 1,15 bilhão.
O projeto previa a implantação de aproximadamente 1,6 mil quilômetros de fibra óptica no Putumayo, além de trechos terrestres e de infraestrutura no Rio Amazonas. A expectativa era beneficiar cerca de 100 mil domicílios com acesso à conexão.
Em nota, o MinTIC afirmou que os fatores financeiros, técnicos, ambientais e de cobertura foram considerados pela ministra Alexandra Falla antes da decisão de cancelar a licitação.
A ministra integra o gabinete do novo presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, que assumiu o cargo em agosto.
Fibra óptica poderia conectar Colômbia ao Norte Conectado
O projeto de fibra óptica no Rio Putumayo tinha importância estratégica para a integração digital entre Colômbia e Brasil. O rio colombiano chega ao território brasileiro com o nome de Rio Içá.
A infraestrutura permitiria conectar a rede colombiana à Infovia 02 do Norte Conectado, que já alcança a região da tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru.
A ligação poderia representar uma das conexões internacionais da rede brasileira construída nos rios amazônicos, criando as condições para a formação de um backbone óptico transcontinental. Em uma etapa futura, a estrutura poderia contribuir para uma conexão entre os oceanos Atlântico e Pacífico.
Uma iniciativa com proposta semelhante também está em andamento em parceria com o Peru.
Ex-presidente Gustavo Petro critica cancelamento
O ex-presidente da Colômbia, Gustavo Petro, criticou a decisão do atual governo em uma publicação na rede social X.
Petro afirmou que a Colômbia já tinha avançado no projeto de conexão pelo Rio Putumayo e que a iniciativa contava com financiamento. Para ele, a suspensão representa um atraso tecnológico para o país.
O ex-presidente também citou a infraestrutura brasileira na região amazônica e defendeu a continuidade do projeto colombiano.
Apesar da expansão do Norte Conectado, é importante destacar que, no Brasil, alguns trechos da rede ainda estão em fase de planejamento ou execução.
Resulta que Brasil ya tiene todos sus ríos amazónicos con fibra óptica y garantiza conección a ciudades pueblos y aldeas de ríos amazónicos.
Adelanté el proyecto por el río Putumayo y estaba ya financiado y ya lo suspendieron. El atraso tecnológico viene de mentes oscuras en el… https://t.co/HEkkYHB9Fm
— Gustavo Petro (@petrogustavo) August 18, 2026
Integração digital na Amazônia
A integração das redes de fibra óptica por rios amazônicos é considerada estratégica para ampliar o acesso à internet em comunidades isoladas e fortalecer a infraestrutura de telecomunicações na região.
O cancelamento do projeto colombiano interrompe, neste momento, uma possível conexão entre a infraestrutura digital dos dois países pelo eixo do Rio Putumayo–Rio Içá. A continuidade ou reformulação da iniciativa dependerá das decisões do governo colombiano sobre os custos, o modelo de execução e os impactos técnicos e ambientais do projeto.
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