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Jaques Wagner deixa liderança do governo no Senado após investigação da PF

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A saída de Jaques Wagner da liderança do governo no Senado marca uma mudança importante na articulação política do Palácio do Planalto em meio ao avanço das investigações da Polícia Federal. O senador do PT da Bahia anunciou que deixará o cargo após acordo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, decisão tomada poucos dias depois de ser alvo da Operação Compliance Zero.

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O anúncio foi feito na quarta-feira (24). Segundo o parlamentar, a prioridade agora será concentrar esforços na própria defesa e na preparação para as eleições de 2026. Até o momento, o governo federal não informou quem será o novo líder do Executivo no Senado.

Jaques Wagner diz que foco será provar inocência

Em publicação nas redes sociais, Jaques Wagner afirmou que a decisão foi tomada em conjunto com o presidente Lula. No comunicado, o senador declarou que pretende dedicar sua atenção à defesa das acusações e às disputas eleitorais do próximo ano.

“Minha prioridade absoluta é provar minha inocência e me dedicar à reeleição do presidente Lula, do governador Jerônimo Rodrigues e à minha reeleição para o Senado”, escreveu.

A liderança do governo no Senado é considerada um dos cargos mais estratégicos da base governista no Congresso. Cabe ao ocupante da função negociar projetos de interesse do Executivo, construir acordos políticos e atuar como principal interlocutor entre o Palácio do Planalto e os senadores.

Jaques Wagner ocupava o posto desde o início do atual mandato presidencial. Um dos principais aliados de Lula, o parlamentar foi governador da Bahia por dois mandatos, exerceu diferentes ministérios em governos petistas e está no Senado desde 2019.

Operação da PF ampliou desgaste político

A saída ocorre poucos dias após a deflagração da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal.

Na semana passada, agentes cumpriram mandados de busca e apreensão na residência do senador, em Brasília, por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.

A investigação apura a suposta atuação de um agente público com foro privilegiado para favorecer o Banco Master e empresas ligadas ao grupo financeiro.

Segundo a decisão do STF, existem indícios de que vantagens teriam sido destinadas a Jaques Wagner, de forma direta ou indireta, por meio de familiares, pessoas de confiança e empresas relacionadas aos investigados.

O despacho também menciona o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, como possível intermediário na relação investigada.

Durante o cumprimento das buscas, a Polícia Federal apreendeu US$ 49 mil em espécie, relógios de luxo e aparelhos celulares.

Defesa contesta operação e pede anulação

Jaques Wagner nega qualquer envolvimento em irregularidades.

Na segunda-feira (22), a defesa protocolou no Supremo Tribunal Federal um pedido para anular a decisão que autorizou a operação policial. Os advogados sustentam que a medida foi baseada em uma premissa equivocada e afirmam que o senador jamais atuou para beneficiar o Banco Master.

Segundo a defesa, a única proposta apresentada por Wagner relacionada ao tema tinha como objetivo restringir a cobrança de juros e ampliar a proteção aos consumidores, posição que, conforme os advogados, contrariava os interesses da instituição financeira.

Os defensores também afirmam que os valores apreendidos possuem origem lícita e que a documentação necessária será apresentada ao Supremo para comprovar a procedência dos recursos.

Enquanto a investigação segue em andamento, o Palácio do Planalto terá de definir um novo nome para comandar a articulação política do governo no Senado, função considerada essencial para a tramitação das pautas prioritárias do Executivo no Congresso Nacional.

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