O sistema de transporte coletivo da capital amazonense enfrentou sérias complicações no início da manhã desta quarta-feira, 27 de maio. Uma paralisação de ônibus em Manaus, organizada por rodoviários e entidades sindicais, interrompeu o fluxo de veículos por cerca de uma hora e meia. A mobilização teve como motivação principal o protesto contra a jornada de trabalho sob o regime de escala 6×1, modelo que prevê seis dias de atividade para um de descanso. O ato gerou reflexos imediatos na mobilidade urbana e na rotina de milhares de trabalhadores.
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A interrupção das atividades começou por volta das 6h, afetando de forma direta o deslocamento da população no horário de maior fluxo da manhã. O movimento resultou em filas e atrasos significativos em diversas regiões estratégicas da cidade, impactando quem dependia do serviço essencial para chegar aos postos de trabalho e compromissos diários.
Impactos no trânsito do Centro e Distrito Industrial
A manifestação dos motoristas e cobradores concentrou-se de forma mais intensa na área central da cidade. No Centro de Manaus, diversas vias registraram retenções severas e os veículos que compõem a frota urbana permaneceram estacionados temporariamente. Diante do bloqueio e da falta de previsão para a retomada do serviço, muitos usuários foram obrigados a desembarcar antes do destino final para prosseguir o trajeto por outros meios.
Além do núcleo urbano, o movimento grevista alcançou as rotas que atendem o Polo Industrial de Manaus (PIM). Diversas linhas de transporte coletivo que operam no Distrito Industrial sofreram atrasos por conta da adesão de parte dos condutores ao ato. O reflexo na região fabril manifestou-se por meio de longas filas de coletivos e lentidão nas vias de acesso, o que gerou preocupação em relação ao cumprimento dos turnos de trabalho nas indústrias locais.
Apoio sindical e pautas nacionais
A mobilização na capital amazonense foi capitaneada pelo Sindicato dos Rodoviários. No entanto, o ato também contou com a participação e o suporte de outras frentes trabalhistas da região. Entre as organizações que manifestaram apoio formal à causa estavam a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Material Plástico de Manaus e do Estado do Amazonas (Sindplast), o Sindicato dos Petroleiros do Amazonas (Sindpetro) e o Sindicato dos Metalúrgicos.
Os representantes das entidades organizadoras esclareceram que, além da pauta local referente às condições de trabalho da categoria e à rejeição do regime de seis dias laborais por um de descanso, a ação teve como propósito ecoar os debates de âmbito nacional que questionam a manutenção desse modelo de jornada na legislação do país.
Posicionamento das empresas de transporte e medidas adotadas
Por outro lado, as concessionárias que operam o serviço público na capital manifestaram forte descontentamento com a forma como o protesto foi conduzido. O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) emitiu uma nota oficial afirmando que a categoria patronal, as operadoras do sistema e as próprias autoridades do município foram surpreendidas pela interrupção das atividades, que ocorreu sem qualquer aviso prévio à sociedade.
O Sinetram pontuou que o ato promovido pelos rodoviários descumpriu uma determinação legal preexistente. De acordo com a entidade, o movimento violou uma decisão liminar proferida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11), que estabelece a obrigatoriedade de manutenção de uma frota mínima circulante por se tratar de um serviço de natureza essencial à população.
Para mitigar os transtornos e tentar normalizar o atendimento à população após o término do protesto, por volta das 7h30, as prestadoras de serviço adotaram medidas de contingência. Foram realizados ajustes operacionais emergenciais e o remanejamento das frotas disponíveis para restabelecer a regularidade das viagens e diminuir o tempo de espera nas paradas ao longo do período matutino.
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