A facilidade de apostar no celular a qualquer hora do dia trouxe junto o risco silencioso do vício. Para enfrentar as consequências do jogo problemático, o Ministério da Saúde lançou uma Campanha Nacional de Prevenção aos Danos das Apostas Online. A iniciativa coloca à disposição da população um serviço inédito de teleatendimento em saúde mental voltado para apostadores e seus familiares, totalmente gratuito e sigiloso.
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Para acessar o recurso, basta entrar no aplicativo ou no site Meu SUS Digital utilizando a conta Gov.br. Dentro da plataforma, o caminho é simples: procurar pela aba de miniapps e selecionar a opção voltada a problemas com jogos de apostas. Em seguida, o cidadão responde a um autoteste que avalia a sua relação com os palpites digitais e ajuda a direcionar a melhor forma de cuidado.
Teleatendimento e suporte na rede de saúde pública
Quando o questionário identifica um nível de risco moderado ou elevado, o sistema encaminha o usuário automaticamente para o teleatendimento. Nos casos em que o risco é menor, a plataforma oferece orientações detalhadas sobre os serviços disponíveis na Rede de Atenção Psicossocial (Raps).
Quem necessitar ou preferir um acompanhamento presencial pode procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. Nas UBSs, pacientes e familiares passam por acolhimento, orientação e uma avaliação inicial. Se a equipe médica notar a necessidade de um cuidado mais aprofundado em saúde mental, o paciente é encaminhado a um Centro de Atenção Psicossocial (Caps), onde conta com assistência multidisciplinar contínua.
A preocupação das autoridades de saúde reflete um alerta global. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que o transtorno do jogo (classificado pelo CID e pelo DSM como um transtorno de comportamento aditivo) atinja 1,2% dos adultos no mundo, o que representa mais de 1 bilhão de pessoas afetadas.
Como funciona a autoexclusão de apostas online
O comportamento compulsivo costuma ser alimentado pela própria arquitetura das plataformas digitais. As empresas utilizam recursos desenhados para prender a atenção do usuário 24 horas por dia, combinando notificações constantes, bônus financeiros, apostas em tempo real e recompensas imediatas que estimulam a permanência nos sites.
Como medida complementar de proteção, o Governo Federal disponibiliza a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, gerida pelo Ministério da Fazenda. O serviço permite que o próprio apostador solicite o bloqueio voluntário do seu acesso aos sites autorizados. O pedido é formalizado no site da iniciativa, também com a conta Gov.br.
Ao confirmar o pedido de autoexclusão, o sistema bloqueia as contas ativas do usuário nas casas regulamentadas, impede a criação de novos cadastros vinculados àquele CPF e interrompe o envio de mensagens publicitárias direcionadas. O portal oferece ainda conteúdos educativos focados em jogo responsável, saúde mental e educação financeira.
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