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Manaus expande rede de atendimento para tratamento da esporotricose humana

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A esporotricose humana segue como uma preocupação crescente em Manaus, e a Prefeitura intensificou a expansão da rede de atendimento para melhorar o diagnóstico, o acompanhamento e o tratamento dos pacientes. Como parte desse processo de ampliação, o Distrito de Saúde (Disa) Oeste, vinculado à Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), concluiu nesta quinta-feira (27/11) uma série de encontros técnicos para alinhar condutas entre profissionais médicos que atendem a doença na capital.

Capacitação reúne médicos e reforça padronização do atendimento

O evento ocorreu no auditório do Complexo de Saúde Oeste, no bairro da Paz, e reuniu 60 médicos que atuam em 18 unidades de saúde da zona Oeste. Segundo a gerente de Vigilância em Saúde do Disa Oeste, enfermeira Rúbia Medeiros, o número de unidades referência na região passou de 11 para 18 em 2024, o que exigiu o alinhamento de procedimentos e fluxos assistenciais.

A capacitação abordou manifestações clínicas da doença, critérios para diagnóstico e etapas do tratamento, além de reforçar a importância da vigilância epidemiológica e da notificação obrigatória. Também foram discutidas estratégias voltadas ao acompanhamento contínuo dos pacientes, já que o tratamento pode durar até seis meses e requer consultas periódicas.

Rúbia destacou que a ampliação é necessária para atender à crescente demanda. “O acompanhamento não dura apenas um mês. É um tratamento longo, que exige consultas mensais para avaliar reações, verificar evolução das lesões e considerar encaminhamentos para especialistas, quando necessário”, explicou.

Sintomas e formas de transmissão em humanos e animais

A esporotricose é uma zoonose causada por fungos do gênero Sporothrix e pode afetar tanto pessoas quanto animais, especialmente gatos. Nos animais, as lesões mais comuns são feridas profundas na pele, sobretudo na região nasal. Em humanos, os primeiros sinais geralmente lembram uma picada de inseto, podendo evoluir para úlceras abertas se não houver tratamento adequado.

A transmissão ocorre pelo contato com materiais contaminados, como farpas, palha, terra e cascas de árvore, ou diretamente através de arranhões, mordidas e contato com feridas de animais infectados. Pessoas que trabalham em abrigos, clínicas veterinárias ou lidam com animais contaminados compõem um grupo de maior risco.

A médica clínica geral Angélica Menezes de Lima Pinto, que atua no atendimento à esporotricose humana desde 2021, reforçou a necessidade de atenção redobrada. “O paciente que teve contato com um animal infectado pode apresentar lesão no local da arranhadura ou mordedura, que começa como uma pequena pápula e evolui para uma úlcera que não cicatriza”, explicou.

Casos podem se agravar em pessoas com comorbidades

Segundo Angélica Pinto, a evolução da doença pode ser mais lenta ou apresentar complicações em pacientes com diabetes, hipertensão ou outras comorbidades, além de casos em que o paciente abandona o tratamento. “A esporotricose depende muito da imunidade de cada pessoa. Quem interrompe o tratamento pode desenvolver lesões maiores e mais graves. Em alguns casos, as consultas precisam ocorrer a cada 15 dias”, reforçou.

Expansão avança nas quatro zonas da cidade

A chefe do Núcleo de Controle de Doenças de Notificação Compulsória da Semsa, Sulamita Maria da Silva, informou que a ampliação vem ocorrendo em toda a rede municipal. Atualmente, Manaus possui 18 unidades referência na zona Oeste, seis na zona Norte, cinco na zona Sul e seis na zona Leste.

O Disa Sul, que tinha apenas uma unidade referência, passou a ter cinco em 2024. Já o Disa Leste está capacitando profissionais para incluir mais duas unidades. “O objetivo é garantir atendimento próximo à residência do paciente e facilitar o acesso às consultas mensais ou conforme a necessidade”, afirmou.

Entre janeiro e outubro deste ano, Manaus registrou 1.985 notificações de esporotricose humana, com 1.569 casos confirmados até o momento.

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