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Robô Neo é o humanoide de US$ 20 mil que dobra roupas e vigia sua casa

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Lançado em pré-venda, o humanoide da 1X Technologies, apoiado pela OpenAI, promete organizar sua casa. Contudo, sua dependência de operadores humanos remotos levanta um debate sem precedentes sobre privacidade.

O Robô Neo, a mais recente promessa da robótica humanoide, abalou o mercado de tecnologia ao anunciar sua pré-venda nos Estados Unidos. Desenvolvido pela empresa norueguesa 1X Technologies (que conta com investimentos da OpenAI, criadora do ChatGPT), o Neo não é apenas um conceito; ele está sendo comercializado como o primeiro robô doméstico verdadeiramente funcional, capaz de realizar tarefas complexas como dobrar roupas, limpar superfícies e organizar a casa.

Com um preço de lançamento de US$ 20.000 (cerca de R$ 110.000) para compra direta ou uma assinatura mensal de US$ 499, o Neo representa um salto significativo do laboratório para a sala de estar. A expectativa é que as primeiras unidades sejam entregues aos compradores já em 2026.

O anúncio, destacado em publicações como a Forbes, detalha um humanoide com 1,68m de altura, corpo “macio” coberto por polímero para segurança e operação silenciosa, e uma capacidade de carga de até 25kg. A verdadeira magia, segundo a 1X, está em seu cérebro: o robô é alimentado por um modelo de linguagem de grande escala (LLM), permitindo que ele compreenda comandos de voz e aprenda visualmente a executar tarefas domésticas.

Contudo, por trás da fachada de autonomia e inteligência artificial de ponta, uma realidade mais complexa emergiu nos últimos dias, transformando o debate de “inovação” para “privacidade”.

A realidade da autonomia: o “modo especialista”

A principal controvérsia do Robô Neo não está em seu preço, mas em seu funcionamento. Reportagens recentes e análises de especialistas, incluindo uma matéria do The Wall Street Journal, revelaram que o Neo ainda não é totalmente autônomo. Para tarefas que ele ainda não aprendeu ou nas quais “trava”, o robô utiliza um “Modo Especialista”.

Este modo é, essencialmente, teleoperação. Um funcionário humano da 1X, localizado remotamente, assume o controle do robô usando óculos de realidade virtual. Esse operador pode ver através das câmeras do robô e ouvir através de seus microfones para completar a tarefa solicitada.

A própria 1X Technologies confirmou esse sistema, embora o posicione como uma “ferramenta de coleta de dados” essencial para treinar a IA. Na prática, o consumidor que adquirir o Neo em 2026 estará pagando para participar de um beta teste em massa, fornecendo os dados de uso real que permitirão ao robô, eventualmente, tornar-se autônomo.

A polêmica da privacidade: quem está vendo você?

A revelação da teleoperação abriu um debate imediato e intenso sobre privacidade. A ideia de ter um robô com câmeras ativas, que pode ser controlado por um estranho, circulando livremente dentro de casa, gerou ceticismo e críticas severas.

Concorrentes, como Brett Adcock, CEO da Figure (que também desenvolve humanoides), chegaram a acusar publicamente a 1X de “falsificar vídeos” de demonstração usando operadores remotos.

Em resposta direta às críticas, Bernt Børnich, CEO da 1X Technologies, defendeu o modelo. Em uma participação no podcast Hard Fork do New York Times, Børnich foi enfático: “Se não tivermos seus dados, não podemos melhorar o produto”. Ele chegou a fazer uma comparação polêmica, sugerindo que o sistema da 1X poderia ser “mais seguro do que contratar um faxineiro humano”, dado os controles de segurança implementados.

Controles, promessas e o futuro do Robô Neo

Para mitigar as preocupações, a 1X detalhou os controles de privacidade que estarão disponíveis para os usuários. O proprietário poderá definir “zonas proibidas” (como quartos e banheiros) onde o robô não pode entrar no modo de teleoperação. Além disso, será possível agendar horários específicos para a intervenção humana e até mesmo “embaçar” (blur) a imagem de pessoas na transmissão, garantindo que o operador não veja os rostos dos moradores.

A empresa também afirma que seus operadores remotos são supervisionados, não sabem em qual residência estão operando e veem uma interface de comandos, e não uma visão em primeira pessoa direta.

O Robô Neo simboliza, sem dúvida, a transição da robótica humanoide da ficção científica para a realidade doméstica. Ele é o primeiro de sua espécie a chegar ao mercado consumidor com promessas tangíveis. No entanto, seu lançamento expõe o dilema central da próxima década tecnológica: estamos dispostos a trocar nossa privacidade pela conveniência, e quão confortável nos sentimos em ter um “especialista” remoto observando enquanto nosso robô dobra nossas roupas?

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