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Explicando: 8 pontos polêmicos do Novo Ensino Médio

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Pressionado por estudantes e professores, o governo Lula deverá publicar nos próximos dias uma portaria que suspende o calendário de mudanças relacionadas ao novo ensino médio, em especial a que estavam previstas para o Enem.

A notícia deixou redes de ensino públicas e privadas, além de professores, famílias e estudantes, com uma série de dúvidas.

Abaixo, entenda os principais pontos da reforma e do debate atual.

O que é o novo ensino médio

– O novo ensino médio amplia a carga horária, de 800 horas para 1.000 horas anuais, e reformula o currículo

– Das 3.000 horas do curso, 1.800 (60%) são reservados para uma grade comum a todos, com as matérias tradicionais, como matemática e português

– As outras 1.200 horas (40%) são dedicadas a disciplinas dos chamados itinerários formativos, que as são opções de currículos específicos, que cada aluno deveria escolher

Implantação

– A reforma foi determinada por uma lei assinada durante o governo Temer, em fevereiro de 2017

– Já o cronograma foi definido em uma portaria, assinada em 13 de julho de 2021, no governo Bolsonaro, e previa três fases:

2022: implantação no 1º ano do ensino médio de todas as escolas

2023: implantação também no 2º ano do ensino médio

2024: implantação no 3º ano, abarcando assim todo o ensino médio

– E o Enem? Como ao fim de 2024 seria a conclusão das primeiras turmas sob o novo ensino médio, a portaria também definiu que o Enem fosse adaptado ao modelo a partir desse ano

Itinerários formativos

– São grandes áreas escolhidas pelos estudantes para terem maior aprofundamento. São cinco os itinerários criados por lei:

Matemática e suas tecnologias

Linguagens e suas tecnologias

Ciências da natureza e suas tecnologias

Ciências humanas e sociais aplicadas

Formação técnica e profissional

– Os itinerários podem ser combinados: matemática + linguagens ou ciências da natureza + linguagens, por exemplo

– Podem também ter nomes mais criativos, como Investigação Científica (ciências da natureza) ou Penso, logo existo (ciências humanas)

– As matérias eletivas dariam, em tese, a chance de o aluno aprender de forma mais interessante

Argumentos a favor

– Poderia reduzir a evasão escolar, ao criar currículos mais interessantes para os jovens, conectados com a atualidade e com as necessidades de mercado

– Também poderia criar vínculos que o currículo tradicional não permitia, com o maior engajamento de alunos e professores

– É uma tentativa de superar um modelo de ensino que não se mostra eficiente há décadas: dos jovens que concluem o ensino médio no país, apenas 5% têm aprendizado adequado em matemática e 30% em língua portuguesa, de acordo com o Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica)

– Uma vez implantado, já consumiu muito esforço, tempo e dinheiro das redes de ensino e de escola

Argumentos contra

– Amplia a carga horária sem considerar auxílio a estudantes que precisam trabalhar, o que deve aumentar a evasão escolar

– Ainda que pareça interessante e inovador, ele está desconectado da realidade das escolas brasileiras, mais de 80% delas públicas

– As redes de ensino não têm estrutura nem professores suficientes para dar conta de novas matérias e para organizar uma ampla gama de possibilidades curriculares

– Tira o tempo de disciplinas tradicionais ao mesmo tempo em que cria uma flexibilidade que pode reforçar as desigualdades na educação

Alternativas sem revogação

– Reduzir o tempo dos itinerários formativos para 20% do currículo, justamente a parcela da ampliação. As 2.400 horas que já existiam no modelo anterior seguiriam com o mesmo currículo tradicional

– Tornar optativo o itinerário que ficaria nesses 20%, o que diminuiria a pressão para estudantes que têm que trabalhar

– Flexibilizar o modelo, para que cada rede se ajuste a sua realidade

– Flexibilizar o prazo para a implementação, além da criação de mecanismos de bolsas a estudantes mais vulneráveis economicamente

Debate atual

– Pressionado por professores e estudantes, Lula planeja suspender provisoriamente a implementação do novo ensino médio com uma portaria nos próximos dias – – A suspensão deve ter o prazo de 90 dias, tempo da duração de uma consulta pública sobre o tema, mas pode ser prorrogada

– O documento também deve sustar a reforma do Enem, que seria moldado aos itinerários

Efeitos da suspensão

– Por ora, não deve haver alteração nas aulas para quem já adotou o modelo -a implantação foi total para o 1º ano em 2022

– Porém a medida cria uma incerteza nas redes públicas e privadas sobre que caminho seguir, especialmente considerando a indefinição sobre o Enem

Leia mais:
Estudantes fazem passeata pela revogação do novo ensino médio em SP
Governo abre consulta pública sobre novo ensino médio
No Dia da Escola, confira projetos de lei voltados para a educação no AM

Com informações da FolhaPress*

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