O 1º de abril é reconhecido globalmente como um momento dedicado à descontração, onde notícias falsas e brincadeiras inofensivas tomam conta das redes sociais e das conversas quotidianas. Embora pareça um costume moderno, a prática de pregar partidas nesta data possui raízes profundas que remontam à Europa do século XVI, estando ligada a mudanças drásticas na forma como a sociedade ocidental organizava a contagem do tempo e os seus calendários oficiais.
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A transição do calendário e os bobos de abril
A explicação mais aceite pelos historiadores para a génese desta celebração reside na transição do calendário juliano para o gregoriano na França de 1564. Até aquele período, a chegada do Ano Novo era celebrada durante uma semana de festividades que começava a 25 de março e terminava precisamente a 1º de abril. No entanto, o Rei Carlos IX decretou que o início do ano passaria a ser oficialmente a 1 de janeiro, seguindo a reforma proposta pelo Papa Gregório XIII.
Como a comunicação na época era lenta e muitos cidadãos resistiram à mudança por conservadorismo, uma parcela da população continuou a celebrar o Ano Novo na data antiga. Esses indivíduos tornaram-se alvo de mofa por parte daqueles que já tinham adotado o novo sistema. Os resistentes eram ridicularizados como “bobos de abril”, recebendo convites para festas inexistentes e presentes estranhos, consolidando o dia como um marco para o engano bem-humorado.
A expansão do Dia da Mentira pelo mundo
Com o passar dos séculos, a tradição atravessou fronteiras e ganhou nomes e formatos distintos em cada cultura. No Reino Unido e nos Estados Unidos, a data é celebrada como o April Fools’ Day. Nestas regiões, o costume de pregar trotes tornou-se tão enraizado que até grandes veículos de comunicação começaram a participar.
Um dos casos mais emblemáticos ocorreu em 1980, quando a BBC anunciou que o icónico relógio Big Ben seria substituído por um modelo digital para se modernizar. A notícia gerou uma onda de protestos de cidadãos indignados, que só depois perceberam tratar-se de uma brincadeira editorial. Outro exemplo notável aconteceu em 1992, quando uma rádio pública norte-americana transmitiu uma entrevista falsa com um comediante que se passava pelo ex-presidente Richard Nixon, afirmando que este voltaria a candidatar-se ao cargo.
O primeiro registo da data no Brasil
Em território brasileiro, a prática de celebrar o 1º de abril teve um início documentado no século XIX. O primeiro registo oficial de uma “notícia de mentira” ocorreu em Minas Gerais, no ano de 1828. O jornal local A Mentira publicou na sua edição inaugural a falsa notícia do falecimento de Dom Pedro I, que na altura era o imperador do Brasil.
Embora a informação tenha causado alvoroço inicial, a desmentida veio logo em seguida, estabelecendo o tom para o que viria a ser uma tradição anual no país. Desde então, marcas, portais de notícias e cidadãos utilizam a data para criar campanhas de marketing criativas ou simples brincadeiras entre amigos e familiares.
Impacto cultural e feriados locais
Apesar da sua enorme popularidade e presença no imaginário coletivo, o Dia da Mentira não é considerado um feriado nacional em Portugal, no Brasil ou na maioria das nações que o celebram. As atividades comerciais e os serviços públicos funcionam normalmente, embora o clima de cautela com as informações recebidas seja uma característica comum do dia.
O 1º de abril evoluiu de uma confusão administrativa no Renascimento para um fenómeno cultural da era digital. Num mundo onde a veracidade da informação é constantemente debatida, a data permanece como um lembrete histórico de como a percepção da realidade pode ser moldada pelo contexto social e pelas mudanças de paradigma.
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