O governo brasileiro reforçou que o Pix não fará parte das negociações com os Estados Unidos, mesmo diante da ameaça de um novo tarifaço sobre produtos nacionais. Enquanto equipes técnicas dos dois países buscam um entendimento para evitar a aplicação de tarifas de 25%, o sistema de pagamentos instantâneos foi classificado pelo Brasil como um tema inegociável. Paralelamente, o embate comercial ganhou contornos políticos, com troca de críticas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Pix é retirado da mesa de negociação
A posição brasileira foi apresentada durante reunião realizada na quinta-feira (2) entre o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, e o representante do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer.
Segundo informações apuradas pela CNN, o governo brasileiro levou uma proposta para atender parte das demandas levantadas pelos norte-americanos na investigação conduzida com base na chamada Seção 301, instrumento utilizado pelos Estados Unidos para analisar práticas comerciais consideradas prejudiciais aos seus interesses.
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Apesar disso, o Pix foi excluído das possibilidades de negociação. O sistema de pagamentos instantâneos, apontado pelos norte-americanos como um dos temas da investigação, foi tratado pelo governo federal como um assunto fora de qualquer acordo comercial.
Brasil oferece alternativas para reduzir impasse
Durante o encontro, o Brasil apresentou medidas voltadas aos demais pontos analisados pelos Estados Unidos. Entre eles estão tarifas preferenciais consideradas desleais, acesso ao mercado de etanol, proteção da propriedade intelectual, combate à corrupção e ações contra o desmatamento ilegal.
A principal proposta envolve a redução de tarifas cobradas pelo Brasil sobre aproximadamente 300 modalidades de transações comerciais. Outras iniciativas incluem projetos em tramitação no Congresso Nacional e medidas infralegais que vêm sendo elaboradas pelo Palácio do Planalto.
Como as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) impedem a concessão de benefícios exclusivos a um único país, a estratégia brasileira prevê ampliar eventuais reduções tarifárias para diferentes parceiros comerciais. Dessa forma, empresas norte-americanas poderiam ser beneficiadas em setores onde possuem maior competitividade, sem causar prejuízos significativos à indústria nacional.
Esta foi a quarta reunião entre Márcio Elias Rosa e Jamieson Greer. Novos encontros entre representantes das áreas econômicas dos dois governos já estão previstos para a próxima semana. A expectativa é de que ambos voltem a se reunir antes de 15 de julho, data em que os Estados Unidos devem decidir se recomendam ou não a adoção das novas tarifas contra o Brasil.
Tarifaço amplia disputa política entre Lula e Flávio Bolsonaro
Enquanto seguem as negociações diplomáticas, o tema também passou a dominar o debate político nacional.
Na quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o senador Flávio Bolsonaro após o parlamentar enviar uma carta às autoridades norte-americanas defendendo o adiamento das possíveis tarifas sobre produtos brasileiros.
Em publicação nas redes sociais, Lula afirmou que pedir o adiamento das medidas para depois das eleições representa uma “traição à pátria”. O presidente declarou que o Brasil “não está à venda”, classificou a soberania nacional como inegociável e afirmou que não existe justificativa para a adoção do tarifaço neste momento ou após o processo eleitoral.
Horas depois, Flávio Bolsonaro respondeu às declarações, também por meio das redes sociais. O senador afirmou que Lula seria o responsável por favorecer a imposição das tarifas ao Brasil e criticou o que chamou de uma falsa narrativa de defesa da soberania nacional.
Na publicação, Flávio também acusou o presidente de não negociar adequadamente com os Estados Unidos e fez críticas relacionadas à política de segurança pública, citando o PCC e o Comando Vermelho ao comentar a atuação do governo federal.
Enquanto o confronto político ganha espaço no debate público, as negociações técnicas continuam em busca de um acordo que evite impactos comerciais para as exportações brasileiras e preserve a relação econômica entre os dois países.
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