Emergência química no Distrito Industrial deixou mais de 100 pessoas atendidas, provocou suspensão de atividades e segue sob monitoramento de órgãos públicos
A cidade de Manaus enfrentou uma grave emergência química após um vazamento de gás tóxico no Distrito Industrial, ocorrido na última quarta-feira (15). O incidente aconteceu nas dependências da empresa Innova e foi provocado pelo superaquecimento anormal de um tanque que armazenava monômero de estireno. A reação química gerou alta pressão, forçando a abertura das válvulas de segurança e liberando vapores tóxicos na atmosfera.
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O forte odor foi percebido em diferentes regiões da cidade e mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) e demais órgãos ambientais. Em resposta ao episódio, a Prefeitura de Manaus decretou estado de alerta e aplicou uma multa de R$ 4,5 milhões à empresa. O caso também é investigado pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM).
Confira o que já se sabe sobre o caso.
O que causou o vazamento de gás em Manaus?
Segundo as informações divulgadas pelas autoridades, o vazamento aconteceu após o monômero de estireno sofrer uma elevação anormal de temperatura dentro de um tanque de armazenamento da fábrica.
A principal hipótese é que tenha ocorrido uma reação química espontânea, elevando a pressão interna do equipamento e provocando a abertura das válvulas de segurança, liberando vapores para a atmosfera. Apesar da gravidade da ocorrência, não houve registro de incêndio nem de explosão.
O que é o monômero de estireno?
O monômero de estireno é uma substância química amplamente utilizada na indústria para a fabricação de plásticos, borrachas sintéticas e poliestireno expandido (isopor). Originalmente em estado líquido, o produto volatiza-se com facilidade ao se transformar em gás, o que propicia sua rápida dispersão por longas distâncias através das correntes de ar.
Sintomas provocados pela exposição ao estireno
A inalação desse gás tóxico acarreta irritação imediata nos olhos, no nariz e na garganta. Moradores e trabalhadores expostos ao forte odor relataram sintomas como dores de cabeça, tontura, fadiga, náuseas e falta de ar. Autoridades médicas alertam que a exposição a altas concentrações do composto pode provocar episódios severos de confusão mental, desmaios e perda de consciência.
Mais de 140 pessoas receberam alta médica
De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), até as 17h de quinta-feira foram registrados 149 atendimentos relacionados ao incidente.
Do total:
- 140 pacientes receberam alta;
- Oito permaneciam internados;
- Um óbito foi registrado, porém a SES-AM informou que não foi identificada relação direta entre a morte e o vazamento.
Até o momento, não foram divulgadas informações sobre o estado de saúde das pessoas hospitalizadas.
Escolas, empresas e serviços tiveram atividades suspensas
Como medida preventiva, 19 escolas suspenderam as aulas e o posto do PAC Studio 5 interrompeu o atendimento ao público.
Além disso, 18 empresas instaladas no Distrito Industrial evacuaram seus prédios e liberaram os funcionários devido ao forte odor e aos riscos associados à presença dos vapores químicos.
A Prefeitura de Manaus também orientou que a população evitasse circulação desnecessária em um raio de aproximadamente 30 quilômetros da área afetada.
Orientações para moradores e trabalhadores da região
A Defesa Civil recomenda que moradores e trabalhadores próximos ao local mantenham portas e janelas abertas para favorecer a ventilação dos ambientes.
Outra orientação é desligar equipamentos que captam ar externo, como sistemas de ar-condicionado. Especialistas também indicam o uso de máscaras do tipo P2 ou N95 e recomendam procurar atendimento médico imediatamente em caso de sintomas compatíveis com intoxicação.
Empresa foi multada em R$ 4,5 milhões
A Prefeitura de Manaus aplicou uma multa de R$ 4,5 milhões à Innova por causa da emissão de poluentes acima dos níveis considerados seguros.
Além da penalidade financeira, a empresa terá prazo de 20 dias para apresentar planos de contingência, relatórios de segurança e informações relacionadas aos sistemas de drenagem da unidade.
Paralelamente, o Ministério Público do Amazonas instaurou investigação para apurar eventuais danos ambientais e responsabilidades civis e criminais.
Área continua isolada e monitorada
O Corpo de Bombeiros mantém um perímetro de isolamento de 300 metros ao redor da fábrica enquanto realiza o resfriamento contínuo dos tanques.
Segundo os órgãos responsáveis, a intensidade da emissão diminuiu, porém ainda há liberação residual de vapores durante o processo de estabilização da temperatura.
O Gabinete de Crise da Prefeitura segue acompanhando a ocorrência, com monitoramento permanente da qualidade do ar, da água e do solo nas áreas próximas ao Distrito Industrial.
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