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Plantio de soja em áreas desmatadas cresce 37% na Amazônia

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Cultivo avançou 101 mil hectares em duas safras em áreas abertas após 2008, em meio ao aumento das disputas jurídicas e políticas sobre a Moratória da Soja.

O plantio de soja em áreas desmatadas após julho de 2008 no bioma Amazônia cresceu 37,2% entre as safras 2023/24 e 2025/26. O avanço corresponde a 101 mil hectares e ocorreu em um período marcado pelas primeiras iniciativas jurídicas, legislativas e administrativas contra a Moratória da Soja.

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Os dados foram apurados pela Serasa Experian e divulgados pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). A entidade não possui os números referentes à safra 2024/25.

Segundo a Abiove, a expansão recente ocorreu em ritmo superior ao observado anteriormente. Em um intervalo de três safras, entre 2022/23 e 2025/26, o cultivo em áreas desmatadas após 2008 aumentou 123 mil hectares, alta de 49,1%.

Soja em áreas desmatadas avança em ritmo mais intenso

Para o presidente da Abiove, André Nassar, o crescimento registrado nas duas safras mostra uma aceleração significativa em relação aos anos anteriores.

“Nunca teve um crescimento tão intenso quanto agora. Antes [o crescimento dos plantios não conformes] era mais perto de 30 mil hectares ao ano”, compara Nassar. “O dado mostra que, sem a Moratória da Soja, o produtor aumenta o plantio em áreas desmatadas”, acrescenta.

A Moratória da Soja é um acordo que impede as empresas participantes de comprar ou financiar soja produzida em áreas do bioma Amazônia desmatadas após julho de 2008.

Segundo Nassar, o mecanismo ajudava a desencorajar a expansão do cultivo sobre essas áreas. “A Moratória da Soja desestimulava o plantio em áreas desmatadas. E quando você desestimula, você gera um efeito para frente”, afirma.

Na avaliação do presidente da Abiove, o movimento pode indicar aumento futuro do desmatamento como consequência do fim do acordo. Um estudo publicado em julho na revista Science estimou que 1,4 milhão de hectares da Amazônia podem ficar sob alto risco de desmatamento na próxima década com o fim da Moratória.

Dados de anos anteriores da Serasa Experian também mostraram que, ao menos em Mato Grosso, 97% das áreas desmatadas monitoradas pelo Grupo de Trabalho da Soja (GTS), responsável pelas ações da Moratória, foram potencialmente abertas de forma ilegal. Isso ocorreu por falta de autorização do órgão ambiental ou porque o desmatamento não foi executado conforme a autorização concedida.

Pressão sobre acordo aumentou a partir de 2024

A aceleração do plantio ocorreu enquanto avançavam iniciativas contrárias à Moratória da Soja. Em outubro de 2024, já durante o período de plantio da safra 2024/25, foi apresentada a primeira representação ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

No mesmo mês, Mato Grosso aprovou uma lei para retirar benefícios fiscais de tradings participantes do acordo.

Representantes dos produtores, porém, fazem uma leitura diferente dos números. Para Lucas Costa Beber, presidente da Aprosoja Mato Grosso, os dados da Abiove, combinados aos alertas recentes de desmatamento, “reforçam a tese defendida pelos produtores: o esvaziamento da Moratória levou a maior eficiência no uso das áreas produtivas e à ampliação da produção sustentável”.

Segundo Beber, “o estudo [da Abiove] não aponta aumento do desmatamento, mas do cultivo de soja em áreas consideradas não conformes com a Moratória”.

O dirigente também citou a redução recente dos alertas de desmatamento. “Os dados oficiais mostram queda de 37,5% nos alertas de desmatamento na Amazônia entre agosto de 2025 e maio de 2026, o menor nível da série histórica para o período”, afirmou.

STF retoma julgamento sobre leis estaduais

A disputa em torno da Moratória da Soja chega nesta quarta-feira (12) ao plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). A Corte retomará o julgamento das Ações Diretas de Inconstitucionalidade 7774 e 7775.

As ações discutem leis estaduais de Mato Grosso e Rondônia que retiraram benefícios fiscais de empresas participantes de acordos ambientais. A Abiove integrou a Moratória da Soja até o fim do ano passado.

A discussão ocorre em um momento de mudanças no acordo, que foi firmado originalmente em 2006 para impedir a comercialização de soja proveniente de áreas recentemente desmatadas no bioma Amazônia. O marco posteriormente adotado passou a ser julho de 2008.

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