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Teste com inteligência artificial dobra teor de potássio em Autazes

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Tecnologia de separação por raios X elevou a concentração de cloreto de potássio de 13% para 27% em amostra experimental e poderá ampliar a capacidade produtiva do projeto no Amazonas.

A Brazil Potash anunciou, nesta terça-feira (13), resultados preliminares positivos de testes com inteligência artificial (IA) no Projeto Potássio Autazes, no interior do Amazonas. A tecnologia experimental conseguiu elevar a concentração de cloreto de potássio (KCl) de aproximadamente 13% para 27% em uma amostra de minério, mais que dobrando o teor do mineral no material selecionado.

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O procedimento utiliza um sistema de triagem por Transmissão de Raios X (XRT), associado à inteligência artificial, para identificar e separar partículas com maior concentração de potássio daquelas com menor valor mineral. Os testes foram realizados em parceria com a empresa de engenharia ERCOSPLAN.

Segundo a Brazil Potash, a tecnologia poderá contribuir para aumentar a produção e permitir o aproveitamento de áreas do depósito mineral que atualmente não apresentam viabilidade econômica. Entretanto, a companhia ressalta que os resultados ainda são preliminares e precisam ser confirmados por novos estudos.

Inteligência artificial permite separar minério de maior qualidade

O experimento foi realizado com partículas de minério superiores a aproximadamente 8 milímetros. De acordo com estimativas da ERCOSPLAN, entre 40% e 55% do material previsto para extração no Projeto Potássio Autazes deverá apresentar dimensões acima desse limite.

Durante os testes, uma amostra com concentração inicial de aproximadamente 13% de KCl passou por um processo de seleção que resultou em uma fração enriquecida com cerca de 27% do composto.

O material separado como rejeito apresentou concentrações entre 1% e 2% de KCl. A triagem também permitiu descartar aproximadamente 20% do material de menor teor da amostra antes da etapa de processamento.

Apesar dos resultados, a empresa destaca que o volume de minério utilizado foi reduzido. Por isso, os dados ainda não representam necessariamente o desempenho da tecnologia em uma operação industrial de grande escala.

Projeto Potássio Autazes poderá ampliar produção e vida útil da mina

A Brazil Potash avalia duas possibilidades de aplicação da tecnologia no empreendimento amazonense.

A primeira envolve a pré-concentração do minério antes do processamento por lixiviação a quente, método utilizado para separar e recuperar o potássio. Segundo a companhia, essa alternativa poderia elevar a produção sem a necessidade de construir um terceiro poço de mina.

A segunda possibilidade é viabilizar a exploração de partes do depósito com concentrações menores de potássio, atualmente consideradas economicamente desfavoráveis. O aproveitamento dessas áreas poderia prolongar a vida útil da operação.

As duas alternativas dependem de testes adicionais, análises de engenharia e avaliações econômicas para determinar se a implementação será tecnicamente possível e financeiramente vantajosa.

O diretor-presidente da Brazil Potash, Matt Simpson, classificou os resultados como promissores, mas ressaltou que ainda existem etapas necessárias antes de uma eventual adoção da tecnologia.

Segundo o executivo, a empresa pretende realizar testes com uma amostra significativamente maior após o início da produção comercial da mina. Somente depois dessa avaliação será possível analisar a incorporação do sistema ao processo produtivo.

Como funciona a separação de potássio por inteligência artificial

A tecnologia em avaliação combina sensores de raios X com ferramentas de análise de dados para examinar individualmente as partículas de minério.

O sistema utiliza modelos de inteligência artificial para identificar características que ajudam a diferenciar o material com maior concentração de potássio daquele com menor teor.

De acordo com a descrição técnica do fornecedor, a ferramenta emprega aprendizado profundo e redes neurais convolucionais treinadas com milhões de imagens para reconhecer padrões complexos.

Após a identificação das partículas, o equipamento aciona válvulas de alta velocidade que liberam jatos direcionados de ar comprimido, separando o material de menor teor daquele destinado ao processamento.

Essa classificação antecipada pode reduzir a quantidade de material pouco aproveitável encaminhada às etapas seguintes da produção.

Resultados ainda dependem de validação industrial

Embora o aumento na concentração de potássio tenha sido expressivo, a Brazil Potash reforça que a eficiência observada se limita à amostra analisada.

A companhia ainda precisará verificar o desempenho da triagem em volumes maiores, os custos operacionais e a compatibilidade da tecnologia com a estrutura prevista para o Projeto Potássio Autazes.

As informações científicas e técnicas divulgadas foram revisadas e aprovadas por Matt Simpson, engenheiro profissional registrado na Professional Engineers of Ontario e qualificado conforme a norma canadense NI 43-101, que estabelece padrões de divulgação para projetos minerais.

O anúncio representa uma possibilidade de avanço tecnológico para o empreendimento no Amazonas, mas não significa que a produção de potássio tenha aumentado efetivamente ou que a nova tecnologia já esteja aprovada para utilização comercial.

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