Organização estima que novos diagnósticos anuais cheguem a quase 35 milhões nas próximas décadas caso medidas urgentes não sejam adotadas pelas nações
A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou um alerta global a respeito do crescimento epidemiológico de doenças oncológicas. Segundo dados consolidados, as projeções indicam que os casos de câncer devem quase dobrar até o ano de 2050. Sem a implementação de uma ação coordenada e urgente por parte dos governos, o volume anual de diagnósticos poderá atingir a marca de aproximadamente 35 milhões de ocorrências nas próximas décadas.
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O documento também aponta que, atualmente, o câncer provoca quase 10 milhões de mortes por ano, mantendo-se como a segunda principal causa de óbitos no mundo, atrás apenas das doenças cardiovasculares.
O estudo, intitulado Relatório Global sobre a Situação do Câncer 2026, foi elaborado pela OMS em parceria com a Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer (Iarc).
Desigualdade no acesso ao tratamento preocupa a OMS
Além do aumento esperado no número de diagnósticos, o relatório destaca as desigualdades no acesso à prevenção, ao diagnóstico precoce, ao tratamento e aos cuidados de suporte, especialmente entre países de diferentes níveis de renda.
Segundo a pesquisa, a disponibilidade dos 20 medicamentos considerados prioritários para o tratamento do câncer varia entre 68% e 94% nos países de alta renda. Já nas nações de baixa e média-baixa renda, esse índice fica entre apenas 9% e 54%.
Outro dado que evidencia essa desigualdade é a taxa de sobrevivência ao câncer de mama. Enquanto 87% das mulheres diagnosticadas em países ricos vivem pelo menos cinco anos após o diagnóstico, esse percentual cai para cerca de 42% nos países de baixa renda.
O levantamento também mostra que pelo menos 45% das pessoas afetadas pela doença enfrentam dificuldades financeiras relacionadas ao tratamento.
Mudança no perfil da doença aumenta preocupação
A diretora da Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer, Elisabete Weiderpass, afirma que alguns países conseguiram reduzir determinados tipos de câncer por meio de políticas públicas de prevenção. No entanto, ela avalia que os avanços ainda ocorrem em ritmo insuficiente.
Segundo a especialista, o perfil da doença vem mudando e é cada vez mais influenciado pelo crescimento da obesidade, do sedentarismo, da alimentação inadequada e da poluição do ar, fatores que reforçam a necessidade de ampliar estratégias preventivas.
Tipos de câncer mais frequentes
De acordo com o relatório, o câncer de pulmão permanece como a principal causa de morte por câncer em todo o mundo.
Entre as mulheres, os tipos de mama, pulmão e colorretal concentram grande parte dos casos. Já entre os homens, os cânceres de pulmão, próstata e colorretal figuram entre os mais frequentes.
OMS defende ações globais para reduzir impacto da doença
Para o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, as chances de sobrevivência ao câncer não deveriam depender do país onde uma pessoa nasceu ou de sua condição financeira.
A organização defende que as desigualdades identificadas no relatório são resultado de escolhas políticas e podem ser reduzidas por meio de ações coordenadas entre governos, sistemas de saúde e organizações internacionais.
O documento reforça que as decisões adotadas atualmente serão determinantes para o impacto da doença nas próximas gerações.
Entre as principais recomendações da OMS estão:
- Integração total do controle oncológico aos sistemas de cobertura universal de saúde;
- Investimento estruturado na formação, capacitação e valorização dos profissionais do setor;
- Centralização dos sistemas de atenção nos pacientes com experiência vivida da doença, associada ao reforço da proteção social;
- Alinhamento estratégico entre os eixos de pesquisa científica, inovação tecnológica e demandas reais de saúde pública;
- Garantia de equidade no acesso às inovações terapêuticas mais eficientes.
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