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Itamaraty reage a pedido de Flávio sobre tarifas dos EUA e diz que ‘traidores da pátria’ devem pedir desculpas

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O Itamaraty reagiu nesta quarta-feira (24) à movimentação do senador Flávio Bolsonaro (PL) para participar de uma audiência pública nos Estados Unidos sobre as tarifas dos EUA contra produtos brasileiros. Em publicação nas redes sociais, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que “traidores da pátria” devem ao Brasil “um pedido de desculpas” pelos prejuízos causados pelas medidas comerciais.

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A manifestação ocorreu um dia depois de o gabinete de Flávio informar que encaminhou um pedido ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR, para que o senador possa falar durante a audiência pública marcada para 6 de julho. O encontro tratará das tarifas propostas pelo governo Donald Trump a mercadorias brasileiras.

“Os traidores da Pátria não conseguirão reescrever a história. O Brasil sabe que o tarifaço tem sua origem em uma tentativa de interferência externa na justiça brasileira”, declarou o Itamaraty. Na mesma publicação, a pasta afirmou que “o que os traidores da Pátria devem ao Brasil é um pedido de desculpas pelas tarifas e pelos prejuízos causados a milhares de brasileiros”.

Tarifas dos EUA ampliam tensão entre governo e oposição

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o governo brasileiro vem atuando desde a abertura da investigação, em 15 de julho de 2025, por meio dos canais diretos de interlocução entre os dois países. A pasta afirmou que o Brasil apresentou duas defesas escritas para demonstrar que as políticas brasileiras não prejudicam o comércio com os Estados Unidos.

O Itamaraty também citou a realização de uma reunião de consultas governamentais em Washington, com a participação de uma delegação de alto nível. Desde 2 de junho, quando o governo norte-americano divulgou a nova proposta de tarifa adicional sobre produtos brasileiros, representantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificaram as conversas com autoridades dos Estados Unidos.

A estratégia brasileira tem sido concentrada na negociação diplomática, na apresentação de argumentos técnicos e na pressão política para tentar convencer os americanos de que um acordo seria mais vantajoso para os dois países do que a imposição da tarifa de 25%.

Flávio Bolsonaro pede fala em comitê norte-americano

No requerimento enviado ao USTR, Flávio Bolsonaro se apresenta como membro do Senado Federal, figura de destaque da oposição parlamentar e pré-candidato declarado à Presidência da República nas eleições de outubro deste ano.

O senador solicitou cinco minutos para se manifestar presencialmente e em inglês diante do comitê. No documento, ele também cita já ter se reunido pessoalmente com Donald Trump, com o vice-presidente JD Vance e com o secretário de Estado americano Marco Rubio para tratar dos temas que motivaram a investigação.

Integrantes do governo brasileiro avaliam que as audiências públicas convocadas pelo USTR são espaços voltados à participação do setor privado e da sociedade civil, com envio de documentos e pedidos de manifestação. Na avaliação desses interlocutores, o formato se assemelha a uma audiência pública do Congresso Nacional, e não a uma mesa formal de negociação entre Estados.

Governo mira acordo antes de prazo fixado pelo USTR

O USTR é o órgão responsável por formular e negociar a política comercial dos Estados Unidos. Também cabe ao escritório conduzir investigações sobre práticas consideradas prejudiciais ao comércio norte-americano e recomendar medidas como a imposição de tarifas.

O governo brasileiro trabalha com o prazo de 15 de julho para tentar fechar um acordo tarifário. Essa foi a data fixada pelo USTR para uma definição sobre o tema.

Até lá, o Palácio do Planalto e o Itamaraty pretendem manter a defesa da posição brasileira tanto por escrito quanto em reuniões com representantes norte-americanos. A avaliação do governo é que a negociação direta entre os dois países continua sendo o caminho prioritário para evitar a aplicação das tarifas e reduzir os impactos sobre setores produtivos brasileiros.

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